Alerta: Cúrcuma em cápsulas pode causar danos ao fígado, dizem especialistas da USP
- 12 de abr.
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A popularização da cúrcuma como suplemento alimentar tem gerado alertas por parte da comunidade médica devido aos riscos de toxicidade hepática. Especialistas do Hospital das Clínicas da USP recomendam cautela com o consumo da raiz em formatos concentrados, como cápsulas, extratos e fórmulas manipuladas. Embora a substância possua propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes reconhecidas, o uso indiscriminado e sem orientação profissional pode sobrecarregar o fígado e causar lesões graves, incluindo casos de hepatite medicamentosa.
De acordo com a hepatologista Patrícia Almeida, existe uma percepção equivocada de que produtos naturais são isentos de riscos. O consumo em doses elevadas, comum em suplementos, pode gerar um desequilíbrio na capacidade imunológica do organismo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e órgãos regulatórios internacionais já emitiram alertas sobre os perigos das formulações concentradas, após o registro de diversos casos de inflamações severas no fígado possivelmente associadas ao uso desses produtos.
Um dos pontos críticos destacados pela especialista é a falta de evidências científicas robustas que comprovem a eficácia da suplementação com cúrcuma para a melhora do desempenho físico ou da imunidade. Muitas vezes, os extratos são comercializados sem uma fiscalização rigorosa, o que aumenta a incerteza sobre a concentração real da substância e a presença de outros componentes. Como o fígado é o órgão responsável por metabolizar quase tudo o que é ingerido, o excesso de curcumina em cápsulas pode induzir uma resposta tóxica inesperada.
Por outro lado, o uso da cúrcuma como tempero na culinária permanece considerado seguro e benéfico. As quantidades utilizadas no preparo de alimentos são significativamente menores do que as encontradas em suplementos e não oferecem riscos à saúde hepática. A recomendação médica é que o benefício anti-inflamatório seja buscado prioritariamente através de uma alimentação equilibrada, evitando a automedicação com substâncias naturais que prometem resultados milagrosos.
Antes de iniciar qualquer tipo de terapia com extratos ou cápsulas concentradas, a orientação de um profissional de saúde é essencial. O monitoramento médico permite avaliar se o paciente possui predisposição a doenças hepáticas ou se a suplementação pode interagir negativamente com outros medicamentos. O alerta reforça que o cuidado com a saúde do fígado deve ser priorizado, lembrando que o rótulo de "natural" não substitui a necessidade de controle e responsabilidade no consumo.
Fonte: Agência SP.
Foto: Divulgação/Saúde.



